quinta-feira, 23 de maio de 2019

Catrevagem:

Governador Rui Costa, não se resolvem os problemas do mundo matando pessoas

Por J Rodrigues Vieira

Desembarquei na rodoviária de Itarantim, por volta das dezoito horas de ontem, quarta-feira, 22 de maio. Voltava de São Paulo, após participar da 15ª Edição da Virada Cultural. Ainda na estação rodoviária, alguém, eufórico, contou-me que um garoto agonizava no hospital, após ser baleado por uma guarnição da Companhia de Ações Especiais de Sudoeste e Gerais (Caesg). Meu Deus...   
...Alguns recortes de notícias trataram aquele garoto como elemento de alta periculosidade. Gostaria de ouvir uma reflexão mais assertiva do governador Rui Costa sobre o “vazio completo de ideias”. Há pouco, Rui Costa disse em São Paulo que não só seu partido, mas a esquerda em geral muitas vezes rendeu-se a interesses corporativos “que nem sempre representavam uma visão social”, com certa “captura” do Estado por corporações...  
...Aliás, na guerra dos interesses corporativos, só não sobrevivem as jovens vítimas das ‘disputas do tráfico’, como o garoto, morto, em Itarantim — Ninguém parece querer saber que esses jovens têm famílias e sonhos —, mas, são tratados apenas como resultados de uma triste realidade: fatídica e violenta. Triste realidade que, muitas vezes, é fabricada para justificar o fenômeno das mortes de jovens... 
...Um país que perdem tantos jovens por mortes violentas, dificilmente terá futuro. Pois é, meu caro governador Rui Costa, qual sua política de segurança? Qual a justificativa para respondermos a esse desafio? Um jovem foi morto em Itarantim em suposto “confronto” com a polícia de ações especializadas. Qual sua política antidrogas? Um problema que também atinge os policiais, que muitas vezes, são obrigados a manter o dedo no gatilho, disparando contra os mais pobres: garotos vulneráveis. Governador, em qualquer parte do mundo não se resolvem os problemas matando pessoas...