Convite ao Pensar: Candidatos do PSD perdem apoio em Itarantim, o que está por trás das mudanças

Mudanças de posicionamento e de alinhamento sempre aconteceram na política, e sempre vão acontecer. A questão é compreendê‑las e ajustá‑las para avançar no mundo predatório da política partidária. Dito isso, em poucos dias duas decisões quase simultâneas alteraram o cenário em Itarantim e chamaram atenção pela sua importância: ambas atingiram diretamente candidatos do Partido Social Democrático (PSD).

O grupo Itarantim Pode Mais, liderado por Joelan Sobrinho, anunciou a substituição do apoio ao deputado federal Antônio Brito (PSD) pelo nome de Carlos Muniz Filho (PSDB). Logo depois, o advogado Eduardo Almeida comunicou a troca do deputado estadual Marcone Amaral (PSD) pelo ex-prefeito de Gandu, Léo de Neco (Avante). Dois movimentos distintos, mas com um ponto em comum: ambos retiram apoio de figuras do PSD às vésperas da campanha eleitoral.

Diante disso, surgem perguntas inevitáveis: por que essas mudanças ocorreram agora? Os novos escolhidos são mais competitivos? Representam maior retorno político para os grupos locais? Embora essas questões sejam legítimas, talvez não sejam o cerne da discussão.

Há um elemento mais amplo nas mudanças: a disputa silenciosa, porém intensa, entre Avante e PSD por espaço político na Bahia e no cenário nacional. O Avante, partido que tem ampliado sua presença no estado, está ligado a Ronaldo Carletto e, indiretamente, Rui Costa. Costa tornou-se figura central na política baiana e articulador de peso na campanha de reeleição do governador Jerônimo Rodrigues. Ele, que lidera pesquisas para o Senado, é visto como um dos nomes mais fortes para a sucessão presidencial em 2030, caso Lula vença a eleição. Esse contexto fortalece o Avante e torna o partido mais atrativo para grupos municipais que buscam interlocução com lideranças influentes.

Além disso, Ronaldo Carletto é o primeiro suplente de Rui Costa na chapa ao Senado. Em caso de vitória de Lula e Rui, Costa permaneceria ministro e Carletto assumiria a vaga no Senado. Há ainda dois motivos ligados aos grupos políticos de Itarantim que também influenciaram as mudanças, questões que serão apresentadas em outro momento. O fato, por ora, é que dois candidatos do PSD perderam apoios estratégicos. Contudo, Antônio Brito e Marcone Amaral possuem maior musculatura política: são mais conhecidos, têm mandatos e serviços prestados na região.

Se as mudanças serão positivas ou negativas para os grupos de Itarantim, apenas o futuro dirá. O que se pode afirmar, com segurança, é que o rearranjo não foi por acaso. Ele reflete disputas maiores, interesses locais e a busca por alinhamento com forças políticas ascendentes em vista de 2028.

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