Convite ao Pensar: Por que antigos desafetos do PT agora vestem vermelho e estampam a estrela do PT no peito? Tempora mutantur (os tempos mudam)
A
política de Itarantim vive um momento que, inevitavelmente, será lembrado como
um marco histórico. Quando, no futuro, alguém revisitar, escrever e registrar este
período, será preciso reconhecer que houve um prefeito que decidiu enfrentar a
burguesia reacionária local — aquela que sempre se alinhou ao poder reacionário,
que sempre desprezou as conquitas do PT e rejeitou qualquer projeto político
que não lhe sirvisse diretamente. Fábio Gusmão, ao contrário, escolheu outro
caminho: o da coerência com quem o apoiou e o da defesa de um projeto político
que, segundo seus aliados, trouxe resultados concretos para o município e para
a população.
Ao
apoiar de forma integral o PT e o PSD nas eleições de 2026, o prefeito reafirma
uma posição que não surgiu agora. Ao longo de seus seis anos de governo,
partidos da base estadual e federal garantiram investimentos que, segundo
informações divulgadas, somam quase R$ 50 milhões — recursos aplicados na
segurança pública, na saúde, na educação, na infraestrutura e em outras áreas
essenciais. A segurança, por exemplo, é frequentemente citada como uma das
melhores da região, resultado de parcerias institucionais que só foram
possíveis porque o prefeito não aderiu à cartilha da burguesia reacionária nem
ao bolsonarismo que ela defendeu desde sempre.
A
cena recente, amplamente divulgada nas redes sociais, de antigos desafetos do
PT de Itarantim vestindo camisas vermelhas e ostentando a estrela do PT é, por
si só, um fenômeno sociopolítico digno de estudo acadêmico — talvez até de
mestrado ou doutorado. Alguns o fazem por reconhecer as conquistas da parceria
entre o município e os governos estadual e federal; outros, por puro
oportunismo, buscando preservar cargos e salários; e há ainda aqueles que já
ensaiam movimentos para 2028, na esperança de serem escolhidos como sucessores
do prefeito. A política, afinal, sempre foi terreno fértil para mudanças que me
fez retomar o meu latim inferreujado — Tempora mutantur, et nos mutamur
in illis (“Os tempos mudam, e nós mudamos com eles”). Ou, de forma mais
direta e crítica, Veni, vidi, perfidi — “Vim, vi, fui
infiel/traidor”.
É
impossível não lembrar dos militantes históricos do PT local, que foram
perseguidos, caluniados e difamados/ridicularizados por alguns dos mesmos que
agora se apresentam como entusiastas da sigla. A ironia é inevitável: em 2022,
muitos desses atores foram às ruas defender candidatos do PL, incluindo um
deputado que obteve apenas 579 votos no município. Em 2026, não apresentaram
até agora nenhum nome para deputado — e tampouco demonstraram a mesma altivez
política de outrora. O que mudou? Talvez a percepção de que não possuem a força
eleitoral que imaginavam ter.
Há
também as chamadas “eminências pardas” do segundo e terceiro escalão — em
qualquer governo, são sempre as piores. Figuras que se consideram acima do bem
e do mal, que intimidam, expulsam e silenciam quem ousa criticá-las ou criticar
a burguesia reacionária que defendem. Onde estão? Certamente no andar de cima
da prefeitura, da educação e da saúde. São personagens que sobrevivem
politicamente não pela força do voto, mas pela capacidade de conspirar, sabotar
e manipular. A burguesia reacionária que protegem não se sustenta pela
representatividade, mas pela influência silenciosa e pela intimidação simbólica
— e, por vezes, real.
Seria
saudável para a democracia local se esses grupos voltassem a apoiar abertamente
candidatos do PL, como fizeram em 2022. Na verdade, torço e oro por isso.
Assim, os incautos e os solertes poderiam medir com clareza o tamanho real de
sua força eleitoral — que, historicamente, não tem sido suficiente para eleger
sequer um vereador ou garantir votação expressiva para seu deputado (Raimundinho
da Jr). A narrativa de que “elegem prefeitos” não resiste ao teste dos números.
Essa burguesia é naturalmente impopular; ninguém caminha com ela, exceto as
eminências pardas e seus lacaios — outrora conhecidos como capatazes e capitães
do mato.
Ao
final, permanece uma reflexão essencial: como escrevi em meu livro (Vinte Anos
de Solidâo) “a burguesia reacionária não seria tão forte se não tivesse
cúmplices entre os próprios oprimidos”. A história recente de Itarantim
mostra que alianças políticas podem transformar realidades quando se baseiam em
projetos e não em privilégios. Por isso, vida longa à parceria entre o governo
municipal, estadual e federal. Vida longa a aliança entre Fábio Gusmão,
Jerônimo Rodrigues e Luiz Inácio Lula da Silva. Vida longa a Itarantim — sem a
burguesia reacionária e sem as eminências pardas que, em outros tempos (período
colonial e imperial do Brasil), atendiam pelo nome de capatazes e capitães do
mato.
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Correção: Rosemberg (PT) teve 4082 votos em 2022...
Volto a dizer vc é corajoso mexer com essa classe qie vc define como "burguesia reacionária". As vezes acho que vc não tem noção do que escreve
ResponderExcluirTambem acho, prefeitos passam e essas burgueisa permanece em Itarantim manando e desmandando
ResponderExcluirVeio o meu candidato pra 2028 está colado com o prefeito FG ele é o melhor nome
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