PF deflagra operação contra financiamento ilegal de filme sobre Bolsonaro e faz buscas contra Karina Gama e Mario Frias

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Bolsonaro. A ação cumpre mandados de busca contra Karina Gama, Mario Frias e outras 20 pessoas. 

A investigação ocorre após revelações sobre repasses milionários ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso e ex-dono do Banco Master, para financiar a produção.

Repasse de R$ 61 milhões

Em maio, o site Intercept Brasil revelou uma troca de mensagens e um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) cobrava dinheiro de Vorcaro para financiar o filme sobre Bolsonaro.

Segundo a reportagem, Vorcaro pagou ao menos R$ 61 milhões em 2025. Os recursos teriam sido transferidos para um fundo nos Estados Unidos administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio.

Na quarta-feira (9), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”.

O empresário é dono da Entre Investimentos, empresa que, a mando de Vorcaro, fez repasses relacionados ao filme “Dark Horse”. Segundo a delação, os valores foram pedidos a Vorcaro por Flávio Bolsonaro.

Mineiro também afirmou ter realizado sete repasses, apresentados como “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. As transações ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 e somaram US$ 12,333 milhões, valor que equivalia a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano.

E-mails e comprovantes foram entregues

Mineiro entregou às autoridades comprovantes das transferências para o pagamento das subscrições de cotas e e-mails trocados com Paulo Calixto, responsável pelo fundo Havengate e advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

"No início de 2025, foi feito contato, por e-mail, com o gestor fiduciário do fundo, Paulo Calixto, para as formalizações necessárias, o que cumulou na assinatura de uma 'Letter of Agreement' [carta de compromisso] em janeiro de 2025, pela Entre Investimentos, prevendo mais de dez subscrições de cotas do Havengate Developmente Fund", disse o dono da Entre.

Recursos das Bahamas também são investigados

Em seu acordo de delação, Antonio Carlos afirmou ainda ter feito outros pagamentos no exterior, a mando de Vorcaro, por meio da Entre Investiments and Arbitrage Ltd., empresa sediada em Nassau, nas Bahamas.

Segundo o empresário, Vorcaro enviava “invoices” (faturas) que deveriam ser pagas. Mineiro não detalhou quem eram os beneficiários desses pagamentos.

Uma das linhas de investigação da PF é verificar se recursos mantidos em paraísos fiscais, como as Bahamas, também foram enviados ao fundo Havengate ou a pessoas relacionadas a ele.

Segundo a auditoria particular, o filme custou R$ 75 milhões e foi bancado pelo fundo Havengate.

Comentários