Convite ao Pensar: A eleição que redesenhou o tabuleiro político: a frustração de Dudu e a ascensão política de Joelan

O resultado das urnas de 2026 em Itarantim revelou algo que muitos não esperavam: Dudu dos Tutas não ficou atrás apenas do grupo do prefeito Fábio Gusmão, mas também do grupo liderado por Joelan Sobrinho.

Mas essa história não começou com o resultado da eleição. Ela teve início em março de 2026, quando o grupo Itarantim Pode Mais rompeu politicamente com Dudu e decidiu apoiar seus próprios candidatos.

Naquele mês, o grupo retirou apoios anteriormente concedidos, passou a apoiar outros nomes e consolidou o afastamento político de Dudu. Foi ali que começou a ser construído o cenário que as urnas revelariam meses depois.

A pergunta inevitável é: o que teria acontecido se o grupo Itarantim Pode Mais tivesse permanecido ao lado de Dudu?

Provavelmente, o resultado seria outro. Juntos, os dois grupos poderiam ter alcançado cerca de três mil votos, para mais ou para menos. No entanto, esse capital político-eleitoral não seria dividido de forma justa e com equidade. Dudu seria o grande beneficiado, o sócio majoritário dos votos e da eventual vitória política.

Com mais experiência, vários mandatos e uma trajetória consolidada, ele absorveria a maior parte dos méritos. Joelan, ainda sem experiência em campanhas eleitorais e sem a legistmidade das urnas, permaneceria em segundo plano, à sombra do guarda-chuva do líder mais experiente.

Nesse cenário, Dudu estaria hoje em uma posição extremamente confortável, já articulando alianças para uma eventual recondução à presidência da Câmara e, principalmente, preparando-se para polarizar com o prefeito Fábio Gusmão de olho em 2028. A comemoração dos dois grupos, no pós-eleição, teria avançado madrugada adentro, e as ruas pareceriam pequenas para acomodar tanta euforia.

Mas a política não vive de hipóteses. Vive de fatos.

E os fatos mostraram uma realidade diferente. As urnas não colocaram Dudu frente a frente com Fábio Gusmão (Criatura X Criador). Colocaram-no abaixo de Joelan Sobrinho.

É talvez aí que resida a maior frustração política de Dudu em 2026.

O problema não é ter perdido para o prefeito. O problema não está nos votos recebidos pelos candidatos de Dudu. O problema, ao que tudo indica (psicanálise política), é ter sido superado por uma liderança emergente, alguém que ainda construía sua identidade política e jamais havia sido testado nas urnas.

As eleições legitimam lideranças. E foi exatamente isso que aconteceu com Joelan Sobrinho e o grupo Itarantim Pode Mais. A votação recebida elevou Joelan a um novo patamar político no município.

Enquanto isso, Dudu, após anos de atuação na vida pública, viu surgir uma nova referência capaz de disputar protagonismo na opinião pública. Na política, a experiência tem peso, mas a legitimidade eleitoral recente também conta muito.

Talvez por isso o resultado tenha sido tão amargo.

Dudu sonhava ocupar o posto de principal rival do prefeito. Queria polarizar diretamente com Fábio Gusmão. No entanto, o resultado eleitoral criou um obstáculo inesperado: antes de chegar ao prefeito, surgiu no caminho Joelan ("No meio do caminho tinha uma pedra", Carlos Drummond).

Esse cenário remete, guardadas as devidas proporções, à Batalha de Farsália, ocorrida em 48 a.C., um episódio histórico que merece ser estudado. Também lembra a figura de Ícaro, da mitologia grega, que desejou voar tão alto com asas feitas de penas e cera que, ao se aproximar demais do sol, viu a cera derreter e seus planos ruírem.

Por isso, o maior incômodo de Dudu talvez não esteja nos votos dos candidatos do prefeito, nem nos números alcançados pelos seus próprios aliados. O que parece pesar é ver uma liderança recém-chegada conquistar um espaço que ele acreditava que as urnas lhe reservariam.

No fim das contas, essa história não começou no veredito das urnas. Ela começou com o rompimento entre Joelan e Dudu (março/2026), momento em que o presidente da Câmara passou a enfrentar um crescente isolamento político. Sem grandes lideranças ao seu lado, entrou na disputa praticamente “sozinho”.

E a política, como a história ensina por meio das figuras de Júlio César e Pompeu (Batalha de Farsália), raramente perdoa quem marcha sozinho ou sem a correta estratégia. As urnas apenas transformaram em números aquilo que já vinha sendo construído silenciosamente nos bastidores.

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