Cientistas políticos apontaram que petista gaguejou e tucano não soube tirar vantagem da inexperiência da rival.
iG / Último Segundo
“A Dilma não foi mal. Ela gaguejou, mas para quem não tem experiência ela foi bem. Há de se considerar que é o primeiro debate dela”, amenizou Murillo de Aragão, cientista político e sócio da Arko Advice. Sobre Serra, o especialista diz que, apesar da experiência em várias eleições, ele não foi tão bem a ponto de estabelecer uma vantagem.
Humberto Dantas, cientista político da Universidade de São Paulo (USP) acredita que Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) foi o candidato com o melhor desempenho. “O Plínio mostrou segurança, mas mostrou ideias que não têm nada a ver com as da população”.
Segundo o cientista político da Unicamp, Roberto Romano, Dilma respondeu razoavelmente às perguntas. Disse ainda acreditar que a petista já teve um desempenho pior em outras ocasiões. “Desde que começou a campanha, ela está mais desenvolta e teve boa presença física e o tom não foi arrogante e tecnocrata”, diz Romano.
De acordo com os especialistas, o momento de maior embate foi quando Serra questionou a política do governo Lula com relação às Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais(APAEs) e às condições dos portos brasileiros. “O Ministério da Educação, no governo Lula, quis proibir que as Apaes dessem aulas e cortou o transporte para as crianças excepcionais. As APAEs estão sendo perseguidas”, afirmou Serra.
Os especialistas também observaram que Dilma citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poucas vezes. “Era natural que não citasse tanto o Lula. Ela falou em ‘nosso governo’, ela se incorporou dentro do governo Lula. Ela não o usou como muleta, nisso ela foi bem”, argumentou Aragão.
Já a candidata Marina Silva (PV) apresentou bem suas propostas, na visão de Cássio França, cientista político e diretor de projetos da fundação Friedrich Ebert. “Marina foi mais articulada, conseguiu colocar suas ideias de maneira mais clara. Mas talvez isso não afete muito a parcela do eleitorado, devido ao nível de complexidade do seu debate”, diz França.
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