Lula e Michel Temer conversam com Geddel

Evandro Matos


Dois dias depois de ser derrotado para o governo da Bahia e ouvir pelos quatro cantos de que o seu projeto político havia ruído, o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima (PMDB), de repente, viu seu prestígio se “alavancar” ao ser chamado em Brasília para conversar com o Presidente Lula. Na pauta, o apoio neste segundo turno à candidata do PT ao Palácio do Planalto, a ex-ministra Dilma Rousseff, a mesma que na véspera da eleição veio a Salvador e declarou que o seu candidato na Bahia era Jaques Wagner, sem considerar Geddel, que também concorria pela base governista.
Em Brasília desde ontem pela manhã, onde conversa com o presidente Lula e Michel Temer (presidente nacional licenciado do PMDB e candidato a vice na chapa de Dilma), Geddel pode vir a apoiar a petista por força das circunstâncias políticas, mas ainda demonstra mágoa provocada pelo “desconforto” com as declarações da petista. “Estou em Brasília. Estamos conversando, mas hoje eu não tenho nada a declarar“, disse Geddel, ainda ressentido. “Não tem nada resolvido. Está bom?”, acrescentou o peemedebista, sem querer entrar em detalhes sobre as conversas com Temer e Lula.
 Na segunda-feira, véspera da sua viagem, Geddel teve uma rápida conversa com os principais dirigentes do PMDB baiano, quando agradeceu o empenho dado à sua campanha e avisou que estaria viajando para Brasília para reassumir o seu mandato de deputado federal. Sumido desde o fechamento das urnas, o presidente da legenda, Lúcio Vieira Lima, não foi localizado para falar sobre o assunto. Segundo o secretário geral do partido, Almir Santana Melo, Geddel não havia adiantado nada sobre as conversas que teria na capital federal. “Continua naquela possibilidade (de apoiar Dilma) porque o vice, Michel Temer, é do PMDB. Mas, novidade mesmo, só amanhã”, sintetizou Melo. 
 Como terceiro colocado nesta eleição para o governo do estado, o resultado não foi dos melhores para Geddel, mas lhe rendeu pouco mais de um milhão de votos, o que representa 15% dos votos válidos e um patrimônio que passou a ser cobiçado também pelo candidato José Serra, que já sondou o apoio do peemedebista neste segundo turno. Temendo o assédio do tucano e sabedor das mágoas do seu ex-ministro da Integração Nacional, o presidente Lula se apressou em marcar esta conversa em Brasília.
Integrante da ala de Michel Temer, considerada a mais forte dentro do PMDB, Geddel se mostra tranquilo sobre o seu futuro político. Alias, ontem mesmo surgiram rumores de que ele poderia reassumir o Ministério da Integração Nacional ou ocupar a Presidência da Infraero. Por isso, apesar de todos esses percalços e guardar dentro de si um gosto de traição, Geddel adianta que não pretende retaliar. Mesmo porque, uma vitória de Dilma Rousseff com o seu apoio seria a garantia dele se recompor politicamente e reconquistar o seu espaço no cenário nacional.

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