DECISÕES DE JOÃO TAMBÉM SÃO MANOBRAS POLÍTICAS
O prefeito João Henrique chega a dar a impressão de que estréia um mandato novo, tal a demissão em massa de secretários da sua gestão, que já são cinco, mas podem chegar a seis. No caso específico, JH faz uma manobra em conjunto com a Câmara de Vereadores para preservar sua elegibilidade, caso a Casa tome a posição de acatar a decisão do Tribunal de Contas dos Municípios, que rejeitou a prestação de contas do prefeito. Uma derrota política de João significa a sua inelegibilidade no próximo, por oito anos e talvez o mandato. Que fez então o prefeito? Colocou como seu chefe da Casa Civil o vereador Alfredo Mangueira, um dos quadros mais fortes da Câmara, senão o mais, com poder de influenciar as decisões do colegiado. Para a Secretaria de Saúde do município (um cargo dificílimo) entroniza o competente vereador Gilberto José, também medico, e despacha Saturnino Rodrigues, que foi posto no cargo há pouco mais de dois meses. Gilberto é um bom nome. A dança das cadeiras na prefeitura é fato inusitado em Salvador, pelo menos nas gestões que acompanhei - e foram muitas. Por lá já passaram mais de cem gestores que não conseguiram se adequar à forma de ser de João Henrique. O prefeito, portanto, toma posições agora não em razão da administração municipal, mas, sim, do seu futuro político. Não quer correr risco. Uma condenação formal do TCM, mesmo com a absolvição da câmara, poderá ainda trazer-lhe dores de cabeça, a depender da decisão final do Supremo Tribunal Federal que está a aguardar a nomeação do 11º. ministro para desempate, já que nas duas votações registradas a decisão ficou emperrada num empate de cinco votos a cinco. Em relação à declaração do presidente Alfredo Mangueira, que é do PMDB e poderia ser afastado da legenda, correndo o risco de perder o mandato, não faz sentido. Não há quebra de princípios nem, muito menos, de fidelidade ao partido. Afinal, o prefeito é do PMDB e só deixa a legenda se for do seu desejo. Não também não há nada que indique infidelidade. O que há, sim, é um rompimento com os Vieira Lima, Geddel e Lúcio. Como se sabe, também é um exercício da ação política engolir sapos e, até, um brejo inteiro.
(Samuel Celestino
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