CONVITE AO PENSAR: A sucessão em 2028, a imprudência de Ícaro e o ditado “a carroça na frente dos bois”

A sucessão municipal que ocorrerá em 2028 ainda está longe, mas, como ensinam os analistas políticos, o tempo da política não é o tempo do calendário. É o tempo das estratégias, das alianças e das ambições. E ambição política, quando mal administrada, costuma produzir exatamente o que estamos vendo em Itarantim: estratégias malfadadas, alianças frágeis e um desfile de personagens que fariam Aristóteles repensar sua definição de “virtude como justo meio”.

O grupo do prefeito Fábio Gusmão vive o que Nicolau Maquiavel chamaria de “turbulências naturais do principado”. Enquanto o príncipe não aponta o sucessor, cada cortesão tenta parecer mais virtuoso que o outro ou, ao menos, mais visível.

E visibilidade, em tempos de redes sociais, virou uma espécie de capital político importante, porém, às vezes, enganoso. Nem sempre funciona como desejado.

Se retornarmos ao início do segundo governo, lá em janeiro de 2025, veremos que alguns personagens tentaram se impor pela “força” da própria vontade e ambição política, e descobriram rapidamente que sucessão não é corrida de 100 metros, mas maratona. Teve aquela liderança que tentou dominar tudo logo de partida e, como Ícaro da mitologia, voou tão perto do sol que derreteu as próprias asas feitas de penas e cera de abelha. Caiu, e migrou para o campo oposicionista. Hoje vive seu dilema hamletiano: “ser ou não ser (oposição), eis a questão”.

Teve também aquele outro líder que aparecia em tudo, falava de tudo, opinava sobre tudo, ainda que ninguém entendesse muito bem o que ele dizia. Hoje aparece pouco, fala menos ainda e caiu na escala da sucessão: ainda aparece na foto, quase nunca no protagonismo do discurso ao microfone.

E como não lembrar do(a) secretário(a) que decidiu “competir” com o próprio prefeito em número de postagens e visualizações nas redes sociais? Parecia acreditar que algoritmo e visualizações eram sinônimos de sucessão política. Cooptou jovens, montou grupo, fez barulho… e descobriu que rede social e barulho não são garantias de força política. Recuou, ou foi recuado(a). E fez bem.

Agora surge um quarteto, sim, um quarteto, tentando furar a bolha da sucessão. Até um certo vereador, encantado com algumas promessas, entrou na dança. É cedo para saber se o grupo político irá longe ou se será apenas mais um capítulo das “turbulências naturais do principado”. Mas a tentativa está aí, viva e pulsante.

Enquanto o prefeito não bate o martelo, o processo sucessório segue como uma montanha‑russa, marcado por altos e baixos.

O ponto central, porém, é outro: ainda não é hora de pautar a sucessão. E quem não entendeu isso corre sério risco de pagar caro por tentar colocar “a carroça na frente dos bois”, erro clássico que qualquer manual de teoria política desaconselha.

Antes da sucessão, vêm as eleições de outubro. Antes da sucessão, vem a eleição da Mesa Diretora. Antes da sucessão, vem a manutenção da governabilidade.

E a eleição de outubro será novamente o divisor de águas. Se alguém do primeiro escalão, ou mesmo de fora, pretende ser o sucessor, mas não acompanha os candidatos apoiados pelo prefeito, como espera contar com o aval do alcaide para sucedê-lo ao poder? Vale lembrar aos incautos: a troca do vice começou a ser cogitada ainda na eleição de deputado em 2022, lembram? Nesta eleição, muitas revelações acontecerão novamente, afinal ela será mais uma vez polarizada.

Quem acompanha os bastidores da política e entende um pouco dela já sabe: a eleição de deputado será o termômetro da sucessão. Ela revelará quem está no governo e com o governo, 100%, 50%, 20%, e até quem está no governo e não apoia os candidatos do governo. E é aí que mora o verdadeiro dilema da sucessão.

O sucessor precisará ter duas qualidades essenciais:

  1. Ser de total confiança do prefeito, e ter a confiança total dele. Para evitar episódios como o da presidência da Câmara em 2025.
  2. Ter competência e habilidade política para tocar o projeto e o legado do prefeito, sem desviar do rumo e sem transformar continuidade em ruptura disfarçada. Para não fazer valer, já em 2029, o velho dilema “criatura x criador”.

Até lá, o melhor que os aspirantes à sucessão podem fazer é praticar a virtude aristotélica do “justo meio”: nem avançar demais, nem recuar demais. Porque, no processo sucessório, quem coloca “a carroça na frente dos bois” vira problema para si e para o governo; quem se esconde demais vira irrelevância, ou fantasma, dentro do governo.

E, convenhamos, até 2028, nenhum aspirante à sucessão quer ser nem uma coisa nem outra.


Comentários

  1. O texto do "Alerta Itarantim" traz uma reflexão valiosa sobre o equilíbrio que o prefeito precisa manter. Escolher um sucessor não é apenas escolher um nome popular, mas sim alguém que garanta a continuidade de um projeto sem "puxar o tapete" de quem o colocou lá.

    Aqui estão alguns pontos para refletirmos sobre essa escolha:

    1. O dilema do "Time que está ganhando"
    A máxima diz que não se mexe em time que está ganhando, mas na política, o vestiário é decisivo. Não basta o jogador ser bom de bola (competência); ele precisa jogar para o treinador e respeitar o esquema tático. Se o sucessor escolhido for alguém que já demonstra "voo próprio" ou falta de lealdade agora, o risco de uma ruptura futura é enorme. A fidelidade às orientações do líder é o que mantém o grupo unido.

    2. Experiência vs. O Novo
    O Secretário de Administração: Representa a segurança. É o nome que conhece a máquina pública, sabe onde o calo aperta e, teoricamente, manteria a estabilidade que os funcionários e fornecedores já conhecem.

    As "Caras Novas": O desejo por renovação é natural, mas o risco é a aventura. Como você bem pontuou, uma cara nova pode não ter o mesmo compromisso com os direitos conquistados pelos contratados ou com a estrutura atual da prefeitura.

    3. Pensar no Coletivo
    O maior erro de um sucessor é governar para um pequeno grupo de aliados e esquecer a população. Um bom administrador precisa ter a visão do todo. Se a sucessão for pautada apenas em "dividir o bolo" entre algumas lideranças, o projeto se enfraquece.

    4. A Medida Certa (A Virtude)
    Como o texto cita Aristóteles, o prefeito precisará do "justo meio". A escolha ideal precisa equilibrar:

    Confiança: Alguém que não se torne adversário no dia seguinte à posse.

    Competência: Alguém que saiba cuidar das pessoas e dos serviços públicos.

    Pé no Chão: Alguém que entenda que 2028 passa obrigatoriamente pelo sucesso das eleições de agora.

    No fim das contas, a política é como uma engrenagem: se uma peça tenta girar mais rápido que as outras, o motor quebra. O prefeito precisará de muita sabedoria para separar quem quer apenas o poder de quem quer, de fato, cuidar do legado de Itarantim

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  2. Meu prefeito FG vai fazer o futuro prefeito e entrar para a história de Itarantim VIDA LONGA AO NOSSO PREFEITO #SOU SEMPRE FG

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