A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, com base em comunicado publicado por Nelson Vallejo Gomez, secretário pessoal do pensador, em seu perfil no Instagram. Ao anunciar a morte do filósofo, Gomez escreveu: "Ao pôr do sol de uma majestosa tarde de primavera, no Hospital Americano de Paris, nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, encerrando um fabuloso ciclo existencial que começou em Paris em 8 de julho de 1921, o espírito brilhante do amado sábio da #PoéticaDaCivilidade, meu pai espiritual, querido e admirado Condor, Edgar Morin, tornou-se pura energia".
Na mesma publicação, ele acrescentou: "Agora ele está muito mais intensamente presente em nós. Sempre carregarei seu sorriso em meu coração como um farol de inteligência viva, e o manual da Unesco, que é como um legado".
Entenda as principais ideias de Morin
Além de sua trajetória política e acadêmica, Edgar Morin deixou uma das mais influentes contribuições intelectuais da contemporaneidade ao desenvolver o conceito de pensamento complexo. Sua obra questionou a fragmentação do conhecimento em disciplinas isoladas e propôs uma compreensão mais integrada da realidade, na qual fenômenos sociais, econômicos, culturais e ambientais são vistos como partes interdependentes de um mesmo sistema.
Para Morin, os grandes desafios da humanidade não podem ser compreendidos por explicações simplificadoras. O filósofo defendia que a educação e a produção de conhecimento deveriam reconhecer as conexões entre diferentes áreas do saber e preparar as pessoas para lidar com a incerteza, a mudança e as contradições inerentes à vida moderna.
Essa visão ganhou projeção internacional com a publicação de Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, elaborado em parceria com a Unesco. Na obra, Morin argumenta que a educação deve ir além da transmissão de conteúdos e formar cidadãos capazes de compreender a condição humana, respeitar as diferenças culturais e enfrentar problemas globais de maneira solidária e cooperativa.
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