Aristóteles ao afirmar, século IV a.C., que o ser humano é um “animal político”, um zoon politikon, não fez apenas uma definição antropológica, mas lançou as bases de toda a reflexão sobre a vida em sociedade. Para ele, a política não é uma escolha, mas uma condição da própria natureza humana. Nenhum indivíduo alcança a eudaimonia, felicidade plena, isolado. É na pólis (cidade) que o ser humano se desenvolve, aprende, convive e constrói sentido coletivo.
A política, portanto, não se
resume a governo, leis ou disputas de poder: é a forma como organizamos a vida
comum, aquilo que torna possível a existência de cada pessoa. Sem comunidade,
não há linguagem, cultura, segurança, transmissão de saberes ou mesmo
sobrevivência.
É nesse contexto que Aristóteles
afirma que quem vive fora da sociedade é “um deus ou uma besta”.
Se alguém é autossuficiente e não precisa de comunidade, estaria acima das
limitações humanas, como um “deus”. Se não é autossuficiente, carece das
condições mínimas para desenvolver suas capacidades humanas e vive apenas por
instinto, como uma “besta”.
Entre esses extremos está o ser humano real, dependente da Pólis (cidade) para sobreviver, viver e se realizar. A vida política, portanto, é a expressão da nossa racionalidade e sociabilidade. Revisitar esse pensamento de Aristóteles hoje é essencial: em tempos de polarização e descrença nas instituições, lembrar que ser um animal político (um zoon politikon) significa reconhecer que nossa humanidade se realiza no encontro com o outro, na construção de uma cidade justa e na deliberação sobre o bem comum.
Quem tenta viver fora da sociedade, longe da política, abdica daquilo que nos torna humanos: a capacidade de pensar juntos, decidir juntos e viver juntos. A política, longe de ser apenas um campo de disputa, é o espaço onde a humanidade se faz e se refaz, exigindo sempre nossa presença e participação política.
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