Morre Raimundo Rodrigues Pereira, fundador do jornal Movimento e símbolo do jornalismo de resistência no Brasil
Fundador do jornal Movimento, ele deixa um legado marcado pelo rigor jornalístico, pela coragem política e pela construção de uma imprensa comprometida com a verdade e com o interesse público.
Uma trajetória marcada pela coragem
Raimundo Rodrigues Pereira iniciou sua carreira em veículos de grande prestígio, como a revista Realidade e o jornal O Estado de S. Paulo, onde se destacou pela qualidade de suas reportagens e pela profundidade de suas análises. No entanto, foi na imprensa alternativa que consolidou seu papel histórico.
Durante a ditadura militar (1964-1985), quando a censura e a repressão limitavam drasticamente o jornalismo, Raimundo integrou uma geração que enfrentou o autoritarismo com informação, análise crítica e compromisso democrático.
Resistência sob censura
A atuação de Movimento se deu sob intensa repressão. O jornal enfrentava censura prévia, cortes frequentes e dificuldades financeiras. Em muitas edições, os espaços em branco denunciavam a violência do regime contra a liberdade de imprensa.
Ainda assim, Raimundo manteve uma linha editorial firme, apostando no jornalismo como ferramenta de transformação social. Sua trajetória foi marcada pela disciplina, pelo compromisso com os fatos e por uma postura intransigente em defesa da democracia.
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