Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Federal, Valdemar Costa Neto (PL) comandava a definição de emendas parlamentares utilizando uma rede de assessores ligados às lideranças partidárias na Câmara dos Deputados. Embora a Constituição reserve exclusivamente a deputados e senadores a prerrogativa de apresentar emendas ao Orçamento, os investigadores afirmam que o presidente do PL exercia, na prática, essa atribuição.
A investigação aponta que três servidores da Câmara atuavam como operadores do esquema: Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e atualmente lotada na liderança do PP; Garigham Amarante, servidor da liderança do PL e ex-dirigente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) durante o governo Jair Bolsonaro; e Nara Brum, assessora da liderança do PL.
Na decisão, Flávio Dino afirma que os três atuavam como “longa manus” de Valdemar Costa Neto, isto é, executavam ordens do dirigente partidário.
Segundo o ministro, mensagens de aplicativos e planilhas apreendidas pela Polícia Federal demonstram que Valdemar comandava o redirecionamento dos recursos.
“Valdemar Costa Neto, sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos”, escreveu Dino.
Suspeita é de peculato
Na decisão, Flávio Dino afirma que os fatos investigados podem configurar o crime de peculato, caracterizado pelo desvio de recursos públicos.
Até o momento, a Polícia Federal não aponta que Valdemar tenha se apropriado diretamente do dinheiro após a liberação das verbas aos municípios. A suspeita é que ele utilizasse a estrutura administrativa da Câmara para controlar a destinação de recursos públicos cuja indicação é competência exclusiva dos parlamentares.
Comentários
Postar um comentário
A V I S O:
Devido ao momento político, a partir de hoje, só serão liberados na opção Comentar como ANÔNIMO, os comentários construtivos ou que falem das propostas ou das qualidades de candidatos a cargos eletivos nesta eleição. Os comentários de teor crítico, acusadores ou agressivos aos candidatos, autoridades ou a qualquer outra pessoa, só serão liberados se o autor se identificar na opção Comentar como: NOME/URL, no quadro de comentários. IDENTIFICAR VIA ITEM NOME/URL.