Convite ao Pensar: Quem são, afinal, os amigos do governo e os amigos do poder?

Há uma pergunta que todo gestor deveria fazer e repetir como mantra, especialmente antes de grandes decisões: “Quem são os amigos do governo e quem são os amigos do poder?” A devida importância a essa questão pode definir o sucesso ou fracasso político da gestão e do gestor.

Maquiavel escreveu, há mais de 500 anos, que governantes cercados de aduladores acabam devorados por eles. E não é preciso ser um gênio florentino (Itália) para perceber que, em Itarantim, há quem mude de lado com a mesma velocidade com que muda de roupa. A amizade fundada na conveniência é tão sólida quanto um castelo de areia: basta a maré virar para que tudo desmorone.

Os amigos do poder são ervas daninhas resistentes. Sobrevivem a eleições, crises, escândalos, derrotas e até mudanças de regime. São como "heras" grudadas no muro: não importa quem entra ou sai da casa, eles permanecem. Não defendem governos, defendem o próprio acesso ao poder. E fazem isso com uma habilidade que beira o profissionalismo.

Já os amigos do governo são fiéis, contudo, passageiros sem o apoio do líder maior. Chegam com abraços, promessas e discursos de fidelidade. Juram lealdade eterna, até o dia em que percebem que foram abandonados. A partir daí, somem como se nunca tivessem existido. São aliados de estação: florescem na primavera eleitoral e murcham no inverno da gestão. E pior, podem tornar-se aliados ou bajuladores dos amigos do poder para sobreviver na pequena cidade ou serem convidados para festas e comemorações.

O laboratório perfeito dessa disputa silenciosa

Em Itarantim, esses dois grupos coexistem o mesmo espaço, se toleram e, quando necessário, fingem alianças. Mas não se enganem: um quer governar, o outro quer mandar. E quando um prefeito confunde essas duas categorias, o resultado é previsível, e historicamente comprovado.

A cidade já viu gestores serem engolidos pelos amigos do poder, traídos por aliados que juravam fidelidade, e até perderem direitos políticos por confiar em quem não deveriam. Muitos só perceberam tarde demais que estavam cercados não por amigos, mas por estrategistas do poder. E, como Júlio César, tiveram de perguntar tarde demais: “Até tu, Brutus?”

Governar sem entender essa diferença é suicídio político

Governos passam, os amigos do poder ficam. Governantes mudam, os donos do xadrez permanecem. E quem não entende isso vira peça descartável no tabuleiro.

Maquiavel reforçaria que governos fortes dependem de instituições, não de bajuladores e amigos do poder. E Itarantim, se pudesse ensinar, diria: “Aprendam com a história, ou cometam os mesmos erros.”

Comentários

  1. Essa pergunta até vejo como desnecessária.
    Pois as pessoas para fazerem parte de um governo, tem que ser escolhidas antes mesmo do governo existir.
    É na inexistente do governo, que sabemos quem é cada um que está ao nosso lado.

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    1. com todo o respeito, considero a pergunta bastante apropriada e necessária. O fato de a equipe ter sido escolhida antes da posse não significa que seja 'perfeita' ou que não possa sofrer alterações — especialmente quando os líderes não comungam dos ideais planejados pelo gestor.

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  2. Aprender com a história seria o conselho perfeito. Mas como aplicá-lo em uma cidade onde as "heras do muro", movidas puramente por conveniência, predominam desde sempre? Lamentavelmente, o cenário na atual gestão não é diferente: os falsos leais são sempre os primeiros a pular do barco quando seus interesses pessoais deixam de ser prioridade.
    ​O momento atual é ideal para o gestor abrir os olhos e refletir com sabedoria. É hora de discernir quem realmente é aliado e ter a coragem de afastar quem nada soma. Afinal, para uma administração prosperar, todos os envolvidos — direta ou indiretamente — precisam falar a mesma língua e comungar dos mesmos ideais.

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