Convite ao Pensar: Quando “pedras” se movem no tabuleiro político, alteram a disputa, geram reações e consequências...

A sessão da Câmara de Vereadores de Itarantim da última terça-feira (25) revelou dois fatos políticos que merecem atenção e análise cuidadosa, pois ambos têm potencial para alterar o tabuleiro político local. O primeiro foi o apoio de um vereador experiente, com vários mandatos, aos candidatos a deputado federal e estadual indicados por um vereador de primeiro mandato. O segundo foi a nomeação, ou autonomeação, de um novo líder da oposição.

O apoio declarado pelo vereador Raimundo aos candidatos do vereador Edgar acendeu imediatamente o sinal de alerta nos bastidores. Na política, nada acontece por acaso, essa é uma das primeiras lições para quem se dedica a compreender o funcionamento real da disputa. Não é comum que vereadores experientes fechem acordos tão amplos, muito menos apoiando integralmente os dois candidatos de quem acabou de chegar à Casa Legislativa. Esse movimento altera fatores básicos da dinâmica local e expõe um evidente “impacto político” na base governista.

As consequências não devem demorar: conversas tensas, que já começaram na sessão passada, e atritos nos bastidores do Legislativo e do Executivo são esperados. Uma das principais dúvidas levantadas é se essa aliança política entre um vereador do “alto clero” e outro do “baixo clero” se manterá até a eleição da Mesa Diretora. Caso se prolongue, os impactos podem ser ainda maiores. Em política, uma máxima permanece atual: é melhor estar preparado para o pior, para não ser surpreendido.

O segundo fato foi a autoproclamação do vereador Zeza como líder da oposição. A primeira questão é saber se essa autonomeação terá respaldo jurídico, já que outros vereadores podem acionar o setor jurídico da Casa Legislativa. Além disso, o líder do governo - que até aqui só foi incomodado por um colega da própria base que tenta se comportar como líder, apesar da péssima atuação - terá agora de se preparar para embates mais "sangrentos", bem diferentes daqueles embates enfrentados com o antigo líder da oposição.

Resta ainda a dúvida sobre qual oposição Zeza pretende representar: a “verdadeira oposição”, que ele próprio afirmou fazer parte, em 9 de junho na Tribuna? Ou também as demais oposições, aquelas que ele preferiu não nomear? Porque, se uma é a “verdadeira”, talvez agora Zeza finalmente esclareça o que seriam as outras oposições que ele se colocará como líder.

Voltarei a esses fatos em breve, quando eles mostrarem mais claramente suas consequências...


Comentários