A tática de ACM Neto e Rodrigo Hagge em Itapetinga — e, ao que tudo indica, em toda a região: “não ataquem Lula”

Na terra da pecuária, o dilema da oposição é pisar em ovos: como atrair votos sem cutucar a onça (ou o presidente Lula)

A movimentação política em Itapetinga ganhou intensidade nas últimas semanas, marcada por um clima de cautela entre grupos da oposição. Após o resultado das eleições de 2022, quando o município contrariou expectativas e deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, setores anti-lulistas locais reorganizam estratégias para evitar nova surpresa nas urnas.

Em 2022, apesar do discurso predominante de apoio ao então presidente Jair Bolsonaro, o desempenho nas urnas revelou um cenário distinto. Lula venceu em Itapetinga e, posteriormente, conquistou a eleição nacional, contrariando previsões de lideranças locais.

Naquele pleito, candidatos a deputado alinhados à direita enfrentaram dificuldades para alcançar votação expressiva, enquanto nomes apoiados pelo PT capitalizaram o ambiente favorável ao presidente eleito. A avaliação interna é de que ignorar esse movimento seria abrir caminho para nova derrota.

A reorganização da oposição passa também pela estratégia adotada pelos aliados de ACM Neto (União Brasil) e do ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB). A orientação nacional do grupo busca reduzir o impacto de disputas federais sobre campanhas estaduais e municipais. Ao apoiar o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, ACM Neto tenta construir palanques regionais menos vulneráveis ao desgaste político de Brasília.

Essa postura ficou evidente no debate da TV Bandeirantes, quando o ex-prefeito de Salvador evitou confrontos diretos com o presidente Lula, apesar das tentativas de adversários de nacionalizar a discussão. A estratégia sinaliza uma campanha em que declarações públicas serão calculadas para evitar ruídos com eleitores lulistas — maioria em Itapetinga.

O principal desafio da oposição no município será administrar a base mais radical da extrema direita local. A presença desse grupo, embora numericamente relevante nas redes sociais, pode dificultar a construção de um discurso moderado necessário para ampliar a margem eleitoral. A orientação interna é evitar ataques diretos ao presidente Lula, sob risco de afastar eleitores que apoiam o governo federal.

Com a aproximação do período eleitoral, cabos eleitorais ligados a Rodrigo Hagge e ACM Neto terão de equilibrar posicionamentos para não comprometer o desempenho nas urnas. Em um cenário politicamente sensível, a disputa em Itapetinga tende a ser marcada por discursos calculados, tentativas de evitar polarizações e atenção redobrada ao comportamento do eleitorado.

Os próximos dias devem intensificar a movimentação política na cidade, com campanhas buscando ajustar estratégias para um pleito em que cada declaração pode influenciar o resultado.

Fonte: IDENUNCIAS

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