Durante discurso proferido nesta terça-feira (22) na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York, o presidente Lula (PT) mandou um duro recado às ambições hegemônicas das grandes potências mundiais, destacando que a soberania brasileira e a integração regional não podem ser submetidas a interesses externos.
Em sua fala perante os representantes multilaterais, o chefe do Executivo brasileiro abordou a posição geopolítica do país e da região frente ao cenário global. “Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo num contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomentem o desenvolvimento”, declarou Lula, resgatando título da obra do economista Paulo Nogueira Batista Jr. e ressaltando que as diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre os países vizinhos.
O mandatário relembrou o histórico político do continente para alertar contra retrocessos antidemocráticos e ingerências externas em processos eleitorais. “Os países da região reconheceram os horrores do regime de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, apontou. Ele classificou como gestos anacrônicos a divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos.
Nesse contexto regional, Lula passou em revista diferentes crises locais. O presidente afirmou que “o povo venezuelano merece decidir seu próprio destino” e ressaltou que “a Nicarágua não vai resolver seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições”. Sobre o Haiti, advertiu que a situação continua testando os limites da indiferença internacional. Já em relação a Cuba, criticou duramente as sanções econômicas: “o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais”.
As pessoas estão cansadas da violência. Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossa fronteira e garantir à população o direito de viver sem medo”, afirmou.
Lula enfatizou que a solução para a criminalidade transnacional não passa por exibições de força militar. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastecem o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos”, revelou, apontando a necessidade de combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.
Por fim, o chefe de Estado detalhou as ações estruturais tomadas pelo governo federal para enfrentar a criminalidade internamente e em cooperação com países vizinhos. Ele citou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, reunindo autoridades dos nove países amazônicos, e ressaltou que em 2025 o país realizou a maior operação contra o crime de sua história, com recordes de apreensão de drogas, bens e recursos ilícitos. “Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime. A Lei Antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime penas superiores às previstas para o terrorismo”, concluiu Lula, destacando ainda que o combate à corrupção continuará implacável, pois “ninguém está acima da lei”.
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