Bem, este é um dos quadros – passives de transformações profundas – da sucessão de 2010. O imprescindível agora é combinar com o outro lado. O outro lado chama-se Jaques Wagner, atual detentor do bastão do governador do Estado. Wagner tem o PT e setores do seu partido que estão doidinhos para romper com o PMDB.
Aliás, não apenas romper mas cortar as asas de Geddel que, acreditam eles, tem dado voos importantes no sentido de consolidar sua proposta de chegar a Ondina.
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O deputado Geraldo Simões, um petista tido como radical quando o assunto é podar os passos do PMDB, não vê mais razão da aliança. Outros auxiliares de Wagner têm o mesmo pensamento. Mas o governador tem certeza de que enquanto a caravana passa os cães ladram. E acredita – ou dá mostras disso – em um entendimento num prazo relativamente curto.Curtíssimo, melhor dizendo.
O governador prepara uma reforma administrativa – dada em primeira mão pela Tribuna da Bahia – e este pode ser um pretexto para defenestrar o PMDB das duas secretarias estaduais – Infraestrutura, comandada por Batista Neves – e Indústria, Comércio e Mineração, dirigida por Rafael Amoedo.
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A saída deles no próximo dia 20 - data marcada para deslanchar a reforma – significa, na prática, que o bicho pegou. Seria a separação das almas de Wagner e Geddel, já que a separação dos corpos surge como algo já sacramentado. Ambos têm se encontrado normalmente em solenidades, como ocorreu neste final de semana com a presença dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes). Coincidentemente ou não eles não têm se batido tete-a-tete, embora o ministro tenha dito que está disposto a conversar e o governador também. Como o clima pressupõe uma certa urgência nas negociações, é crível que os dois sentem na mesma mesa ainda esta semana antes do fatídico dia 20.
Candidatura ao Senado se tornou inviável
Até onde se sabe, Geddel poderia recusar o Senado caso a chamada base aliada do governo do Estado o tivesse como candidato único ao cargo.
Entretanto, bastou ventilar essa possibilidade e o mundo político baiano transformou-se numa imensa tenda no interior da qual agrupou-se apenas os caciques, deixando os índios a ver tupã.
Pelo menos oito pretendentes ao Senado, todos dizendo-se umbilicalmente ligados ao marido de Fátima Mendonça, já perfilam de olho em 2010.
Por mais cativante e envolvente que seja o governador, dificilmente conseguirá dissuadir seus companheiros em abrir alas para a passagem de Geddel. Nesse caso, a candidatura única para o Senado melou de vez. É elementar: a deputada Lídice da Mata (PSB), o comunista Haroldo Lima, e mesmo o petista e deputado Walter Pinheiro não cederiam a posição de porta estandarte nem de passista para abrigar Geddel na linha de frente da escola senatorial.
E se houver chances para o ministro compor a vice de Dilma Rousseff, a queridinha de Lula na linha sucessória presidencial? Melhor tirar o cavalinho da chuva. Não interessa ao ministro tal aventura, como não lhe enche a pança o desejo de disputar a Câmara dos Deputados novamente, vaga que deve ser aberta para o seu irmão, o presidente estadual do PMDB, Lúcio Vieira Lima. Por exclusão, podemos afirmar, portanto, que o caminho normal a ser perseguido por Geddel será o governo baiano.
E, na medida em que ele tenha um vice da importância de João Durval, certamente estará dando um passo e tanto para marchar acompanhado de um escudo que já se mostrou à prova de bala.
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