Almoço com Obama – Lula diz que não quis atrapalhar
Por Mônica Bergamo (Folha de S. Paulo)

Em quarentena e sem dar entrevistas desde que deixou o governo, em janeiro, o ex-presidente Lula abriu uma exceção e conversou com a coluna anteontem, na festa em que foi homenageado pela comunidade árabe como “o líder da união entre os povos”. Justificou sua recusa ao convite para o almoço que a presidente Dilma Rousseff (PT) ofereceu a Barack Obama. E criticou a segurança americana, que revistou ministros do governo que participaram de um evento com o presidente dos EUA.

Folha Por que o senhor recusou o convite da presidente Dilma Rousseff?
Lula - Veja, eu saí do governo há dois meses só.

Mas era apenas um almoço.
Todos os outros ex-presidentes brasileiros foram.
Todos os outros ex-presidentes foram porque eles saíram do governo faz tempo. É diferente. Então eu acho que a visita do Obama ao Brasil… não pelo que ele anunciou porque… [bate as mãos uma na outra para mostrar que Obama, em sua opinião, não assinou nada de extraordinário na visita que fez ao país]. Mas pela visita, pelo simbolismo da visita dele ao Brasil, à Dilma, era um momento muito importante para ela, eu não deveria, eu poderia atrapalhar.

Não foi então uma tomada de posição?
Não. Veja, eu fui presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. E depois que eu saí, os presidentes que me sucederam podem testemunhar -nem todos estão aqui, mas o Vicentinho [o deputado Vicente Paulo da Silva, que estava na homenagem a Lula] está aí, você pode falar com ele -eu participava do movimento, mas eu não aparecia em assembleias, eu achava que tinha que me retirar.

O senhor sempre disse que ministro seu que tirasse os sapatos em aeroporto dos EUA para ser revistado, como fez um chanceler do governo FHC, deixaria de ser ministro. E agora nós vimos ministros do governo Dilma sendo revistados pela segurança em território brasileiro.
A segurança americana exagerou.

Mas o senhor os demitiria?
Eu acho que foi um exagero, um exagero.

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