Morte do ministro Teori Zavascki volta a ser assunto e pede investigação, entenda os motivos

A morte do ministro do STF Teori Zavascki, em janeiro de 2017, nunca foi objeto de uma investigação aprofundada, apesar das suspeitas que se acumularam desde o acidente aéreo em Paraty (RJ). O tema volta agora ao centro da discussão pública após a emergência de novos elementos sobre a atuação da Lava Jato e do ex-juiz parcial Sérgio Moro, especialmente depois de a Polícia Federal ter apreendido a chamada “caixa amarela” da 13ª Vara Federal de Curitiba, em que estariam armazenados vídeos da conhecida “festa da cueca”. O conteúdo foi mencionado pelo empresário Tony Garcia em entrevista à TV 247, e a conduta da força-tarefa está atualmente sob investigação do STF.

Em meio à retomada do debate, relembra-se o relato publicado pelo jornalista André Barcinski, do portal UOL, à época do acidente. A apuração destacou testemunhos de pescadores e bombeiros que participaram das primeiras tentativas de resgate. Segundo esses relatos de 2017, uma das passageiras teria permanecido viva por cerca de 70 minutos após a queda da aeronave — período superior ao estimado inicialmente pelas autoridades, que falavam em aproximadamente 40 minutos.

Um dos depoimentos mais chocantes reunidos por Barcinski é o do barqueiro conhecido como Mino, que presenciou as tentativas de içar o avião: “Dava para ver a mão de alguém batendo no vidro. Depois ouvimos os gritos, era uma voz de mulher: ‘Pelo amor de Deus, me tira daqui, não aguento mais!’”.

Segundo o relato, bombeiros e agentes da Defesa Civil tentaram romper o vidro da aeronave com uma marreta, mas não conseguiram. “Os Bombeiros e a Defesa Civil usaram uma marreta para tentar quebrar o vidro, mas não conseguiram, aquilo nem trincou".

Entre os episódios narrados por Garcia estão acusações de alto impacto institucional. Ele afirma que “um desembargador, contrário à Lava Jato, foi sacrificado com base em denúncias falsas”. Menciona também que dois ministros — Herman Benjamin, do STJ, e Luís Roberto Barroso, do STF — teriam sido alvo de tentativas de chantagem. No caso de Barroso, Garcia relaciona as pressões a operações do Banestado, período anterior à sua nomeação ao Supremo.

O texto de Nassif também cita o depoimento da ex-juíza Luciana Bauer, que reforçou publicamente a acusação de ter sido agredida por Moro dentro de um elevador, afirmando que o então magistrado segurou seu pescoço. Após o episódio, ela relata que viaturas passaram a circular com frequência incomum em sua rua.

Para o jornalista, o conjunto dessas denúncias impõe a necessidade de revisitar o acidente que matou Teori Zavascki, então relator da Lava Jato no STF. Ele lembra que o ministro Gilmar Mendes afirma que Teori morreu poucos dias depois de sinalizar que enfrentaria os abusos da força-tarefa.

Para ele, o debate transcende o campo jurídico e alcança interesses econômicos de grande porte — desde recursos bilionários que seriam destinados à Fundação Lava Jato até disputas entre empreiteiras brasileiras e impactos diretos sobre a Lei de Partilha da Petrobras. Nesse cenário, argumenta que a reabertura das investigações sobre a morte de Teori Zavascki torna-se imprescindível diante dos novos elementos trazidos à tona e das atuais apurações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Fonte: Brasil 247

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