Presidente Lula transmite mensagem de Natal em rede nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em mensagem de Natal, fez um balanço do ano e afirmou que o Brasil encerra 2025 como um período “histórico”, marcado por avanços sociais, melhora da economia e fortalecimento da soberania nacional. No pronunciamento, ele prometeu transformar em realidade uma das principais demandas do mundo do trabalho: o fim da escala 6x1 sem redução de salário, além de destacar ações do governo contra o crime organizado e anunciar um esforço nacional para combater a violência contra a mulher.

Entre os principais pontos do discurso, Lula destacou a saída do Brasil do mapa da fome, lembrando que o país havia alcançado esse resultado em 2014, mas “andou para trás” nos anos seguintes. Segundo ele, ao assumir, o governo encontrou “33 milhões de pessoas passando fome” e atribuiu a reversão desse cenário à retomada de políticas públicas.

Saímos do mapa da fome”, declarou Lula, mencionando a retomada do Bolsa Família, o apoio à agricultura familiar, a valorização do salário mínimo, investimentos em geração de empregos e ações voltadas para a alimentação nas escolas.

O presidente também citou programas voltados diretamente para famílias e juventude, ressaltando que “a família é a base da nossa sociedade” e que as famílias “conquistaram muito neste ano que chega ao fim”. Ele apontou ações que, segundo o governo, vêm reduzindo o tempo de espera por serviços de saúde e ampliando a permanência de jovens na escola.

Isenção do imposto de renda até R$ 5 mil e “dinheiro extra” nas famílias

Lula afirmou ainda que outra “grande vitória” do ano foi o “fim do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês”, medida que, segundo ele, terá impacto direto na renda disponível da população já a partir de janeiro.

PAC, obras e indicadores econômicos

No bloco dedicado à economia e infraestrutura, Lula afirmou que “obra é o que não falta” no Brasil e que o novo PAC está presente em todos os estados, levando “trabalho e desenvolvimento”.

Segundo ele, o país termina o ano com “a menor taxa de desemprego da história”, com recordes de emprego com carteira assinada, renda média no maior patamar já registrado e inflação acumulada em quatro anos “menor de todos os tempos”. Lula também declarou que os avanços resultaram nos “menores índices de pobreza e desigualdade da história” e que “só neste ano” dois milhões de pessoas deixaram o Bolsa Família por terem melhorado de renda.

Combate ao crime organizado e ofensiva contra a violência contra a mulher

Na área de segurança pública, Lula reconheceu que crime e violência seguem como grandes desafios. Ainda assim, afirmou que o país avançou no enfrentamento às facções e celebrou uma atuação mais incisiva do Estado.

A Polícia Federal comandou a maior operação já feita contra o crime organizado”, afirmou, acrescentando que o combate às facções “chegou pela primeira vez ao andar de cima” e que “nenhum dinheiro ou influência vai impedir a Polícia Federal de ir adiante”.

Lula também usou o pronunciamento para anunciar uma mobilização nacional contra a violência de gênero. “Um povo tão gentil e capaz de produzir coisas tão belas não pode aceitar a violência contra a mulher”, disse. Em seguida, prometeu liderar um esforço envolvendo ministérios, instituições e a sociedade, e fez um apelo direto aos homens: “Nós que somos homens devemos fazer um compromisso de alma. Em nome de tudo que é mais sagrado, seja um aliado”.

Brasil no mundo, COP 30 e resposta ao “tarifaço”

Ao abordar política externa, Lula afirmou que o Brasil voltou a ser “respeitado e admirado” internacionalmente, citando o recorde de 9 milhões de turistas estrangeiros e a realização da COP 30 em Belém do Pará, que classificou como um sucesso. Para o presidente, o evento consolidou o Brasil como liderança global no enfrentamento da crise climática.

Ele também mencionou um “desafio inédito”: um tarifaço contra o Brasil, que teria sido revertido por meio do diálogo e da diplomacia. Lula afirmou que o governo protegeu empresas, evitou demissões e negociou o fim da medida, destacando ainda que o país ultrapassou em dezembro a marca de “500 novos mercados” abertos para produtos brasileiros.

“Direito ao tempo”: promessa de fim da escala 6x1

No trecho final, Lula associou a melhora econômica à necessidade de ampliar direitos sociais e trabalhistas, afirmando que “nenhum direito é tão urgente hoje quanto o direito ao tempo”. Ele criticou a lógica que obriga trabalhadores a jornadas exaustivas e defendeu que o país precisa avançar na proteção da vida familiar.

Não é justo que uma pessoa seja obrigada a trabalhar duro durante seis dias e que tem apenas um dia para descansar o corpo e a cabeça”, afirmou, mencionando o impacto dessa rotina na convivência com os filhos e no cuidado com a casa.

Em seguida, Lula explicitou o compromisso com o tema: “O fim da escala 6 por 1, sem redução de salário, é uma demanda do povo que cabe a nós, representante do povo, escutar e transformar em realidade”.

Comentários