Um relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek teria sido morto pela ditadura militar em 1976, contrariando a versão oficial de que sua morte ocorreu em um acidente automobilístico na Via Dutra. O documento, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso na comissão, está sendo analisado pelos demais conselheiros do colegiado e deve ser votado nos próximos encontros do grupo.
A reunião destinada à apreciação
do texto chegou a ser marcada para 24 de abril, em São Paulo, mas foi adiada
para que os integrantes tivessem mais tempo de estudar o material, que reúne
mais de 5 mil páginas entre relatório principal e anexos. Segundo informações
apuradas pela imprensa, há expectativa de aprovação do parecer pela maioria dos
conselheiros.
De acordo com a Folha de S.Paulo, a possível decisão representa uma reviravolta em um dos episódios mais controversos da história política brasileira. Criada por lei em 1995, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a CEMDP é um órgão de Estado vinculado atualmente ao Ministério dos Direitos Humanos e tem como função reconhecer vítimas da repressão política entre 1961 e 1988.
Contextualização e Investigações
A morte de JK ocorreu
em 22 de agosto de 1976. Na ocasião, o Opala em que o ex-presidente viajava
pela Via Dutra, conduzido por seu motorista e amigo Geraldo Ribeiro,
atravessou o canteiro central após perder o controle e colidiu violentamente
com uma carreta na pista contrária. Ribeiro também morreu no
acidente.
Caso a conclusão seja aprovada, a comissão poderá recomendar a retificação das certidões de óbito de JK e de Geraldo Ribeiro para registrar que ambos morreram em decorrência de perseguição política promovida pelo Estado brasileiro, como já ocorreu recentemente com outras vítimas da ditadura.
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