Deputados investigados no STF ampliam patrimônio em R$ 33,9 milhões, três são baianos

Nove deputados federais investigados em processos no Supremo Tribunal Federal (STF) registraram, em conjunto, aumento de R$ 33,9 milhões no patrimônio declarado à Justiça Eleitoral entre 2022 e 2026. Levantamento publicado nesta segunda-feira (24), com base nos registros de candidatura apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o maior crescimento foi o do deputado Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE), cujos bens aumentaram R$ 13,3 milhões no período.

Integram a relação Carlos Jordy (PL-RJ), Dal Barreto (União Brasil-BA), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE), Júnior Mano (PSB-CE), Juscelino Filho (União Brasil-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). 

Os parlamentares aparecem em investigações conduzidas pela Polícia Federal entre 2020 e 2026 envolvendo suspeitas de desvios de emendas parlamentares, irregularidades em licitações e uso da cota parlamentar. Os procedimentos chegam ao Supremo em razão do foro por prerrogativa de função. Como parte dos processos tramita sob sigilo, o levantamento considerou deputados que já tiveram a participação nas apurações tornada pública por operações policiais ou pedidos formulados pela PF.

Fernando Coelho Filho lidera a expansão patrimonial registrada no grupo. Em 2022, o deputado declarou R$ 3,7 milhões em bens. Neste ano, o valor passou a R$ 17,1 milhões, avanço de aproximadamente 362%. 

Outro crescimento expressivo aparece nas declarações de Dal Barreto. O deputado do União Brasil declarou R$ 7,3 milhões em 2022 e R$ 14,7 milhões em 2026, praticamente dobrando o patrimônio informado à Justiça Eleitoral. Entre os bens estão terrenos, participações empresariais e investimentos. Barreto foi alvo da sexta fase da Operação Overclean, deflagrada em outubro de 2025, quando a PF apreendeu seu telefone celular em uma investigação sobre suspeitas de fraude em licitações e desvio de emendas.

Também investigado no âmbito da Operação Overclean, Elmar Nascimento passou de R$ 2,5 milhões em patrimônio declarado em 2022 para R$ 8,5 milhões neste ano. A relação de bens apresentada à Justiça Eleitoral inclui imóveis, um jet-ski e um quadriciclo. O deputado não foi alvo direto de mandado na quinta fase da operação, mas integrantes de sua família foram alcançados pelas medidas determinadas na investigação.

No Rio de Janeiro, Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, e Carlos Jordy foram alvos da Operação Galho Fraco, realizada pela Polícia Federal em dezembro de 2025 e relacionada ao uso da cota parlamentar. Na ocasião, policiais apreenderam cerca de R$ 470 mil em um flat utilizado por Sóstenes. O deputado afirmou, à época, que o dinheiro tinha origem na venda de um imóvel em Minas Gerais.

Sóstenes havia declarado cerca de R$ 5 mil em recursos bancários em 2022. Na eleição deste ano, apresentou patrimônio cerca de R$ 595 mil superior, incluindo R$ 500 mil em espécie vinculados à venda do imóvel e um terreno de R$ 100 mil em Brasília.

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