O
Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) lançará, em março, uma nova ferramenta
digital voltada ao enfrentamento da violência doméstica e do feminicídio. A
iniciativa, anunciada nesta terça-feira (6) pelo presidente da Corte,
desembargador José Edivaldo Rotondano, inclui um robô de atendimento que
permitirá às mulheres solicitar medidas protetivas diretamente pelo celular.
O recurso está em fase final de testes.
Durante
encontro com a imprensa na sede do tribunal, em Salvador, Rotondano afirmou que
o combate à violência contra mulheres é uma das prioridades da gestão. Ele
destacou que os índices registrados no estado e no país continuam elevados e
citou dados do Ministério Público que apontam que a maior parte das denúncias
recebidas envolve violência doméstica, crimes contra crianças e adolescentes e
estupro.
O
presidente defendeu a necessidade de atuação conjunta entre instituições
públicas e sociedade civil para enfrentar o problema. Segundo ele, o novo
sistema busca ampliar o acesso das vítimas à Justiça e agilizar a concessão de
medidas protetivas.
Gestão e projetos estruturais
Ao
comentar os rumos da administração, Rotondano ressaltou a experiência adquirida
no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que classificou como fundamental para
conhecer boas práticas adotadas em outros tribunais. Ele reconheceu, porém, que
o período de dois anos de gestão é curto para implementar todas as mudanças
planejadas.
Entre
as primeiras ações, o TJ-BA está criando um setor exclusivo para tratar de
contratos e licitações, separando funções que antes eram exercidas pelo mesmo
departamento, em desacordo com a legislação. Um projeto de lei já foi
encaminhado à Assembleia Legislativa para formalizar a mudança.
Outra
medida anunciada é a criação de um órgão técnico de apoio à presidência,
destinado a fortalecer a defesa institucional do tribunal. Atualmente, o TJ-BA
depende integralmente da Procuradoria-Geral do Estado para esse tipo de
atuação.
Transparência e arrecadação
Rotondano também afirmou que a gestão pretende reforçar mecanismos de integridade e controle interno, com foco na prevenção de conflitos de interesse. Na área financeira, será criada uma central de arrecadação de custas judiciais, com o objetivo de melhorar a cobrança de valores pendentes. Segundo o tribunal, cerca de 80 mil processos possuem custas remanescentes que não foram recuperadas.
A expectativa é que as primeiras medidas sejam implementadas ainda no primeiro semestre, com destaque para o lançamento do robô de atendimento voltado às vítimas de violência doméstica.
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