A sessão ordinária da Câmara
Municipal de Itarantim, realizada nesta terça-feira (14), foi marcada por um
amplo debate sobre denúncias de mineração irregular em diferentes regiões do
município. Representantes de associações rurais, moradores e vereadores
discutiram os impactos das atividades e a necessidade de fiscalização mais
rigorosa.
Durante a sessão, lideranças
comunitárias relataram que empresas de pesquisa mineral estariam atuando há
mais de dois anos no território, avançando sobre áreas como Corgão, Palmeiras,
Água Vermelha e Mandim, entre outras. Segundo um dos representantes, “estamos
falando de uma mineração que está há mais de 2 anos na cidade fazendo pesquisas
e chegou ali na região do Corgão e o Palmeiras... e algumas regiões foram
barradas e a nossa região infelizmente foi uma das primeiras regiões onde
começou uma pesquisa”.
Moradores afirmaram que as
atividades têm provocado danos ambientais, como abertura de estradas em áreas
de serra, barramento de córregos e riscos a nascentes. Um dos relatos destacou
que a situação tem gerado insegurança: “moradores que hoje não dormem mais
preocupados com o que venha acontecer daqui a 3 anos ou 2 anos”.
As associações rurais também
cobraram o cumprimento da lei municipal de iniciativa popular que delimita
áreas proibidas para mineração. De acordo com o documento, representantes
afirmaram que a legislação local estaria sendo desrespeitada: “tem os pontos
demarcados com essa lei que não pode minerar e a empresa está querendo desrespeitar
a nossa lei local”.
A Secretaria Municipal de Meio
Ambiente foi questionada sobre sua atuação. Segundo uma fala dos participantes,
houve denúncia formal e o caso deve ser encaminhado ao Conselho Municipal de
Meio Ambiente, mas, na visão das comunidades, “a secretaria de meio ambiente
ainda se pronunciou oficialmente”.
O debate também contou com a
participação de Mateus, integrante , do Centro de estudos e Ação Social (CEAS).
Ele explicou que, embora a Agência Nacional de Mineração (ANM) seja responsável
por autorizar pesquisas, o município tem competência para legislar sobre o uso
do solo. “Mesmo que a ANM tenha concedido um registro de pesquisa mineral, a
empresa deveria estar em conformidade com a legislação do município”,
afirmou.
Vereadores também se
posicionaram. Alguns defenderam a união de forças políticas para impedir danos
ambientais e sociais, enquanto outros ressaltaram a necessidade de embasamento
jurídico. Um dos parlamentares destacou que “a lei municipal nunca poderá
sobrepor uma lei federal..., mas cabe às leis municipais fazer todo o processo
de coordenação e fiscalização”.
Ao final, representantes das comunidades solicitaram apoio dos vereadores e reforçaram o convite para a audiência pública marcada para o próximo dia 29, quando o tema voltará a ser discutido com participação da população e de órgãos públicos.
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