Itapetinga: Influência política de pastores perde força entre evangélicos, diz pesquisa...

A influência de líderes religiosos sobre o voto dos fiéis evangélicos em Itapetinga vem diminuindo de forma consistente, segundo levantamento recente encomendado por lideranças partidárias. A pesquisa, realizada por telefone nos dias 7 e 8 de maio, ouviu moradores evangélicos da cidade e revelou que 59% dos entrevistados não votariam em um candidato indicado pelo próprio pastor. Apenas 19% afirmaram que seguiriam a orientação religiosa, enquanto 22% responderam “talvez”, demonstrando incerteza.

Os dados indicam que a atuação política dos pastores tem encontrado resistência mesmo entre membros mais próximos das igrejas. A tendência já havia sido observada nas urnas. Na última eleição municipal, candidatos a vereador que também eram pastores tiveram desempenho modesto: muitos não alcançaram 100 votos, e apenas um foi eleito, com pouco mais de 600 votos. O resultado mostrou que o apoio pastoral, isoladamente, não garantiu sucesso eleitoral.

O comportamento também se refletiu na eleição presidencial de 2022. Embora parte dos evangélicos de Itapetinga tenha apoiado Bolsonaro, influenciada por lideranças religiosas, o movimento não foi unânime. Mesmo sob pressão, muitos fiéis optaram por se afastar do debate político ou votar de forma independente.

A autonomia do eleitorado evangélico ficou evidente no resultado final. Apesar de o grupo representar mais de 40% da população do município, segundo dados do IBGE, Lula venceu em Itapetinga tanto no primeiro quanto no segundo turno. O desfecho indicou que a orientação de pastores alinhados ao bolsonarismo não foi suficiente para definir o comportamento de grande parte dos fiéis.

Os números reforçam uma mudança no cenário político local: a relação entre religião e voto permanece relevante, mas já não se traduz automaticamente em adesão às indicações feitas nos púlpitos.

Em Itapetinga, a perda de influência é visível. Igrejas evangélicas mais tradicionais querem cada vez mais distância da política. Já as denominações neopentecostais, que têm vários templos na cidade, ainda devem participar do jogo eleitoral, mas sem o mesmo fervor de 2022. Na época, a politização excessiva causou até brigas entre os próprios evangélicos e fez muitos fiéis trocarem de igreja.

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