Acadêmicos de Niterói homenageia Lula na Sapucaí e leva recados políticos ao carnaval do Rio

A Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, na Marquês de Sapucaí, com um enredo que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e transforma sua trajetória em narrativa carnavalesca, com referências diretas ao PT, alusão a Jair Bolsonaro e repercussão imediata no ambiente político.

A escola levou para a avenida o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, apresentando um recorte simbólico da história do presidente, com início em 1952.

Na encenação, o ator e humorista Paulo Vieira interpretou Lula durante a apresentação, enquanto o presidente assistia ao desfile no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro e chegou a descer para a avenida.

A própria escola destacou a dimensão histórica do homenageado. “A liderança política de Lula marcou definitivamente a história do Brasil. Eleito deputado constituinte e presidente da República, Luiz Inácio subiu ao Palácio do Planalto após receber mais de 52 milhões de votos. Alguns dirão que ele bancou o camaleão, disfarçando de verde e amarelo sua coloração essencialmente vermelha”, afirmou a agremiação.

PT, número 13 e grito de guerra na avenida

O samba-enredo trouxe referências explícitas ao universo do PT. A letra reproduziu um dos gritos de guerra associados à militância e mencionou, em duas passagens, o número de urna do partido.

Um dos trechos destacados foi literal: “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.

Janja também é citada na composição, assim como o filme “Ainda Estou Aqui”, conectando elementos culturais à narrativa política apresentada pela escola.

Na letra, Eurídice Ferreira de Mello, mãe de oito filhos, narra a viagem de “13 noites e 13 dias” com a família em um caminhão “pau-de-arara”, entre Garanhuns, no interior de Pernambuco, e a periferia de Guarujá, no litoral paulista, em alusão à trajetória do chefe do Executivo.

Alegoria faz alusão a Bolsonaro como “palhaço preso”

A agremiação também levou para a avenida uma alegoria com alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado como um palhaço na prisão.

Com feição triste e espantada, a figura vestia trajes listrados, tradicionalmente associados à representação de presidiários na dramaturgia. O palhaço utilizava ainda uma tornozeleira eletrônica com sinais de violação, em referência a episódio que levou à revogação da prisão domiciliar do ex-presidente, em novembro do ano passado.

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