CONVITE AO PENSAR: A ruptura política entre Ângelo Coronel e Otto Alencar e algumas lições importantes

A ruptura política entre Ângelo Coronel e Otto Alencar, dois aliados históricos, compadres e figuras centrais do PSD na Bahia, expõe, de forma direta e sem disfarces, a face crua da política partidária. O episódio, marcado por declarações públicas, acusações de deslealdade e ressentimentos acumulados, revela como projetos pessoais, disputas internas e rearranjos de poder frequentemente se sobrepõem a décadas de convivência política e até mesmo a laços familiares. Não se trata apenas de um desentendimento entre dois senadores, trata-se de um acontecimento que funciona como lente de aumento sobre a dinâmica das coalizões, dos acordos e das tensões que moldam os bastidores da política no país. Também evidencia uma tentativa de reduzir a força do eleitorado baiano, que precisa ser diluída para não interferir no resultado das urnas, como ocorreu em 2022. E, claro, reforça o esforço para garantir vagas no Senado a aliados considerados totalmente confiáveis, já que essas cadeiras estão no centro da disputa eleitoral de 2026.

Segundo Otto Alencar, a forma como Coronel anunciou sua saída do PSD foi um choque. Ele afirmou ter sido surpreendido por uma “metralhadora” de declarações públicas, sem diálogo prévio, interrompendo tentativas de negociação interna. Para Otto, a condução do processo o transformou em “vítima” de um desgaste que poderia ter sido evitado. Coronel, por sua vez, sustenta ter sido excluído da chapa majoritária sem consulta, contrariando acordos e desconsiderando sua trajetória dentro do partido. Alega que a decisão foi tomada “de cima para baixo”, ignorando deputados, prefeitos e a própria base partidária. O impacto, segundo ele, não foi apenas político, mas pessoal, já que Otto é padrinho de seu filho. Esse choque entre o público e o privado, entre a amizade e o cálculo eleitoral, revela como, na política, relações pessoais podem ser profundas, mas nunca são blindadas contra a lógica do poder.

O caso também evidencia a fragilidade das estruturas partidárias brasileiras. Partidos que deveriam funcionar como instituições sólidas, com processos internos claros e previsíveis, frequentemente operam por meio de decisões centralizadas, acordos informais e rearranjos de última hora. A chamada “super chapa dos vencedores”, articulada pelo PT baiano e que deixou Coronel de fora da disputa ao Senado, é um exemplo de como alianças majoritárias podem se reorganizar rapidamente, deixando pouco espaço para contestação interna. A reação de Coronel mostra que certas decisões políticas podem gerar rachaduras profundas, mesmo em grupos considerados estáveis.

Outro ponto revelador é a disputa em torno da lealdade. Otto Alencar afirma que sua relação com líderes nacionais como Lula e Jaques Wagner se baseia em confiança construída ao longo de décadas, não em alinhamento ideológico automático. Coronel, por outro lado, diz ter sido abandonado politicamente após anos de aliança. Essas narrativas mostram que a lealdade, na política, é um valor reivindicado por todos, mas interpretado de maneiras diferentes conforme o contexto e os interesses em jogo. A confiança política é sempre condicional — e, quando o tabuleiro eleitoral muda, alianças antes inabaláveis podem ruir com rapidez.

O rompimento entre Coronel e Otto não é um fato isolado. Ele é sintoma de um sistema político que privilegia acordos de cúpula em detrimento da participação interna, trata candidaturas como peças de um xadrez maior, mistura relações pessoais e políticas, mas sempre com a política prevalecendo, e expõe a fragilidade das coalizões quando interesses deixam de convergir. A política partidária brasileira, ao contrário do que muitos discursos idealizados sugerem, não é movida apenas por projetos coletivos ou ideológicos. Ela é, muitas vezes, um campo de disputa permanente, onde alianças são fluidas e onde a sobrevivência eleitoral pesa mais do que qualquer laço pessoal.

O episódio entre Ângelo Coronel e Otto Alencar ensina que, na política, ninguém está imune ao desgaste, à ruptura ou à substituição. Mostra também que, por trás dos discursos de unidade, há sempre tensões e embates, negociações silenciosas e decisões que podem redefinir trajetórias inteiras. A política partidária, quando observada sem filtros, revela sua natureza mais crua: um espaço onde interesses se chocam, alianças se desfazem e até compadres podem se tornar adversários políticos quando o poder muda de direção.


Comentários

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, piada de mal gosto, filosofo ze alves

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  2. Coronel não tem relevância política nenhuma no cenário baiano e muito menos nacional. Não sabe nem debater, ficou "mudo" na CPI da Covid enquanto Otto dava um show na defesa da vida, da vacina e medidas preventivas. E em demais debates importantes não se ouviu sua voz.
    São tempos difíceis, Lula não só precisa ser eleito, como tem que ter um Senado Forte, Contundente, Intrépido, corajoso, coisa que Coronel não se encaixa. Ele que vá para deputado, se tiver força. Ele ficou oito anos como senador graças a força do grupo, sim, o grupo o elegeu, e ele foi inútil em todos embates do grupo. Ele deveria era ter a humildade de agradecer a oportunidade e sair caladinho. Ou se achar que os votos eram dele, que ele é O cara, sair senador por outro partido. Seria a prova real. Mas ele não vai, seria humilhado nas urnas.
    O "time precisa de reforços para esse jogo" não pode deixar alguém por apadrinhamento ou afinidade. É hora de botar o que se tem de melhor em campo.

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  3. Itarantim está fechado com Otto Alencar o senador do nosso prefeito FG vai ser mais uma lapada

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  4. Até agora não tem nenhum outro senador que foi apresentado ao nosso povo cade os outros candidatos que noa falam dos seus senadores. Eu não VOTO nesse senador desse Fábio Gusmão

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    1. Kkkkkk esse aí deve ser mais um opositor a Fábio que só sabe falar merd@ e não tem nada pra oferecer, nenhum serviço prestado na vida social kkkkk

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    2. Kkkkkk esse aí deve ser mais um opositor a Fábio que só sabe falar merd@ e não tem nada pra oferecer, nenhum serviço prestado na vida social kkkkk

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    3. Sou mesmo e dai devo alguma coisa para vc e esse seu prefeito puxa saco éo que vc é

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  5. Vou votar nos candidatos de Dudu ele fez mais pela saúde na história de Itarantim,,,. Dudu é diferenciado...

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